A pergunta de como vender mais no iFood ganhou outro peso. No iFood Move 2026, em São Paulo, a plataforma anunciou R$ 24 bilhões de investimento no Brasil entre abril de 2026 e março de 2027, alta de 41% sobre o ciclo anterior. Para quem tem restaurante, o assunto passa a ser gestão.
Por trás do número existe uma mudança de ambiente.
A plataforma que concentra boa parte dos pedidos de comida do país reforça caixa, ferramentas e categorias que disputam a mesma tela, e isso mexe com margem, dependência de canal e rotina da cozinha.
O que o iFood anunciou para o ciclo até março de 2027?
O iFood destinou R$ 24 bilhões ao ano fiscal de abril de 2026 a março de 2027, segundo o Nosso Meio.
O valor supera em 41% os R$ 17 bilhões anunciados no ciclo anterior. O anúncio foi feito no iFood Move 2026, evento realizado em 16 e 17 de setembro no São Paulo Expo. A plataforma conecta 500 mil estabelecimentos em mais de 2 mil cidades e entrega mais de 180 milhões de pedidos por mês.
Lido pelo lado de quem vende, o salto de um ciclo para o outro mostra uma plataforma em aceleração. Para o restaurante, isso significa um ambiente que muda mais rápido do que o cardápio costuma mudar.
Quem busca entender como vender mais no iFood passa a acompanhar dois movimentos ao mesmo tempo. Um é o do cliente, que pede, avalia o prato e volta ou não volta. O outro é o da própria plataforma, que decide onde coloca dinheiro, ferramentas e espaço de tela.
Para onde vai o dinheiro e o que chega ao restaurante?
O plano reúne frentes para restaurantes, novas categorias, tecnologia própria, reserva de mesa e serviços financeiros do iFood Pago.
A parte de tecnologia e inovação passa de R$ 2 bilhões no ciclo iniciado em abril de 2026, segundo o Nosso Meio. Para o restaurante cadastrado, o que chega são ferramentas de digitalização, opções de crédito pelo braço financeiro da empresa e soluções que ligam o salão ao aplicativo, como a reserva de mesa e o cashback.
Crédito e ferramentas ajudam, mas carregam uma pergunta de gestão. Capital de giro tomado dentro da plataforma onde o restaurante vende aprofunda o vínculo com ela.
Antes de aderir, vale olhar o custo total do crédito ao lado da margem de cada prato vendido no aplicativo. Ferramenta gratuita de vitrine também tem preço indireto quando empurra o restaurante para promoções que corroem o lucro por pedido.
Como mais categorias na mesma tela disputam a atenção do cliente?
Farmácia, mercado, lojas e pet shop passam a dividir com a comida pronta o mesmo espaço do aplicativo.
Essas novas categorias estão entre as frentes do investimento anunciado pela plataforma. Para o restaurante, a consequência prática é uma tela mais disputada. O cliente que abre o aplicativo para pedir o jantar encontra também a compra do mercado e o remédio, e a atenção dele se divide entre mais ofertas.
A plataforma não divulga como a ordenação da vitrine reage à entrada de novas categorias. Qualquer afirmação precisa sobre isso seria especulação.
O que o restaurante controla é o que aparece quando o cliente chega até ele.
Cardápio enxuto, fotos que mostram o prato real, descrições claras e prazo de entrega cumprido pesam mais quando a concorrência pela atenção cresce dentro do próprio aplicativo.
Nesse ponto, como vender mais no iFood deixa de ser uma disputa só de preço. A loja que converte melhor a visita em pedido aproveita cada cliente que já chegou até ela, sem depender apenas de aparecer mais.
Quanto pesa a dependência de um aplicativo só?
Os aplicativos respondem, em média, por 58% das vendas do delivery, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), em 2026.
O levantamento Capacidade Operacional do Delivery ouviu 1.710 empresários do setor em agosto de 2026 e foi encomendado pela 99Food, concorrente do iFood. Na mesma pesquisa, 86% dos estabelecimentos com entrega recebem pedidos por aplicativo. Somados, os dois números mostram que a maior parte do faturamento do canal passa por intermediários.
O peso dos aplicativos no caixa transforma uma decisão comercial em risco de gestão. Uma mudança de regra, de taxa ou de ordenação dentro da plataforma chega direto ao faturamento de quem concentra as vendas ali.
Uma pesquisa anterior da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), com 2.176 donos de estabelecimentos, mostra como o faturamento do delivery se dividia por canal. Os marketplaces somavam 54% da receita do delivery, segundo a entidade, em levantamento publicado em março de 2025.
| Canal de venda no delivery | Fatia do faturamento |
|---|---|
| Marketplaces de entrega | 54% |
| Pedido por mensagem direta ao restaurante | 26% |
| Aplicativo ou site próprio | 12% |
| Telefone | 8% |
A tabela mostra que quase metade da receita do delivery já circulava fora dos marketplaces.
Para medir a própria exposição, o dono pode dividir o faturamento do delivery por canal no último trimestre e ver quanto depende de um único aplicativo.
A concorrência entre aplicativos como variável de decisão
Um segundo aplicativo em expansão muda o poder de escolha do restaurante.
A 99Food planejava R$ 2 bilhões de investimento e já operava em mais de 70 cidades, com meta de chegar a 100 até junho daquele ano, segundo reportagem do TNH1 de março de 2026.
A chegada a Maceió reuniu mais de 1,6 mil restaurantes cadastrados.
Para o restaurante, mais de um aplicativo ativo na cidade amplia a margem de escolha sobre onde vender. Antes de entrar, o cálculo passa por comissão, taxas, prazo de repasse e pela capacidade da cozinha de atender mais um fluxo de pedidos.
A capacidade pesa.
No levantamento Capacidade Operacional do Delivery, de 2026, 78% dos estabelecimentos produzem salão e delivery na mesma linha de produção, e 35% relatam perda de qualidade nos horários de pico.
Abrir um segundo canal sem cozinha para ele pode piorar a nota nos dois.
O que muda na gestão de quem vende pelo aplicativo?
O foco passa da promoção para a margem, o mix de canais e a operação da cozinha.
Quando a plataforma dominante amplia caixa, ferramentas e categorias, o restaurante que só reage com desconto tende a perder margem a cada pedido. A resposta de gestão começa pelo preço de cada prato no aplicativo, já descontadas comissão e embalagem, e segue pela revisão periódica de quanto cada canal entrega de lucro.
Concentrar as vendas em um só aplicativo pode fazer sentido para a operação pequena, com cozinha no limite e sem equipe para cuidar de dois painéis.
O risco cresce quando o aplicativo passa a responder pela maior parte do caixa sem que o dono acompanhe a margem desse canal.
Para quem quer saber como vender mais no iFood sem ficar refém dele, alguns passos ajudam a transformar o anúncio em decisão.
- Separar o faturamento do delivery por canal e acompanhar a participação de cada um todo mês.
- Calcular a margem de cada item do cardápio dentro do aplicativo, com comissão, taxa de pagamento e embalagem.
- Comparar o resultado de cada promoção com a margem perdida, pedido a pedido.
- Medir tempo de preparo, atrasos e cancelamentos, porque a operação aparece na experiência do cliente.
- Conferir se a cozinha comporta mais um canal antes de abrir um segundo aplicativo.
Esses passos não dependem de nenhuma ferramenta nova. Dependem de olhar os próprios números com regularidade, algo que o painel da plataforma mostra só em parte.
Onde a gestão de delivery vira ofício de consultoria?
A leitura de dados, cardápio e operação virou especialidade de consultorias dedicadas ao delivery de restaurantes.
Um exemplo é a GT Consultoria de Restaurantes, fundada por Vanfer Brito, que reúne mais de quinze anos de experiência no mercado de alimentação, em diferentes operações de food service. A consultoria atende donos de restaurantes de todo o Brasil que têm ou querem ter operação de delivery.
Como consultor de food service, Vanfer Brito trabalha com análise de dados de vendas, estratégias de cardápio e promoções, margem, atendimento, entrega, operação e acompanhamento de equipes.
A experiência dele inclui plataformas como iFood e 99Food.
A visão do consultor conversa com o momento do setor. Para ele, vender mais no delivery não depende apenas de promoções.
O resultado vem de dados, da estrutura do cardápio, da margem, da experiência do cliente e da execução operacional. São os mesmos pontos que ganham peso quando a plataforma dominante amplia o investimento.
No fim, a resposta para como vender mais no iFood volta para dentro da cozinha e da planilha do próprio restaurante.

